Câmara Municipal de Lisboa Adquire Imóvel Histórico para Sediar Academia de Amadores de Música

A Câmara Municipal de Lisboa tomou uma decisão estratégica para salvaguardar o futuro de uma das mais antigas e prestigiadas instituições culturais da capital. A aprovação da compra de um edifício na emblemática Avenida de Berna por um valor considerável demonstra o compromisso do município com a preservação do património artístico e a continuidade da formação musical em Lisboa. Este passo decisivo, que envolveu negociações complexas e a cooperação entre entidades públicas, garante que a Academia de Amadores de Música, uma referência na educação musical portuguesa, possa continuar a sua missão ininterruptamente, oferecendo um novo lar e perspetivas renovadas para as gerações futuras de músicos.

Um Novo Lar para a Música Lisboeta: A Decisão da Câmara Municipal

Na data de 9 de julho de 2025, em uma reunião privada de grande importância, a Câmara Municipal de Lisboa, liderada pelo presidente Carlos Moedas, deu luz verde à aquisição de um significativo imóvel. Localizado na Avenida de Berna, número 26, na vibrante freguesia das Avenidas Novas, este edifício, atualmente propriedade da empresa pública Estamo – Participações Imobiliárias, será adquirido pelo montante de 7.274.200,00 euros. A decisão foi unânime entre os membros da câmara e aguarda agora a aprovação da Assembleia Municipal de Lisboa. O compromisso financeiro para esta operação está previsto para ser assumido no ano de 2026.

A urgência desta aquisição reside na situação premente da Academia de Amadores de Música (AAM), uma instituição com 141 anos de história e um legado inestimável no panorama musical português. A Academia viu-se na necessidade de desocupar as suas instalações no Chiado até ao final de agosto deste ano, devido a um aumento drástico e incomportável da renda mensal, que saltou de 542 euros para 3.728 euros. Face a este desafio, a Câmara Municipal de Lisboa procurou ativamente uma solução no coração da cidade.

Inicialmente, foi considerada a possibilidade de arrendamento do imóvel na Avenida de Berna, mas a renda proposta pela Estamo, na ordem dos 7.000 euros mensais, era igualmente inviável para a AAM. Após intensas negociações com a Estamo, o presidente Carlos Moedas anunciou, em abril, que a câmara estava prestes a concretizar a compra do imóvel, assegurando assim que a Academia pudesse utilizá-lo sem encargos de renda ou com o máximo de desconto permitido pelas regulamentações municipais. O imóvel na Avenida de Berna foi identificado como ideal, necessitando apenas de algumas obras de adaptação para acolher as atividades da AAM, com planos para que os restantes andares sirvam outros propósitos de interesse público.

A Estamo, demonstrando compreensão pela urgência da situação, concordou em permitir que a AAM inicie as obras de adaptação necessárias para o próximo ano letivo imediatamente após a deliberação camarária, mesmo que a escritura de compra e venda com o município seja formalizada apenas em 2026. Esta flexibilidade garante que a AAM possa dispor das novas instalações sem atrasos, enquanto o processo formal de aquisição é finalizado, e o impacto orçamental é gerido de forma planeada para o exercício de 2026. Uma vez que o valor da aquisição excede os 870 mil euros, a transação requer a autorização da Assembleia Municipal e o visto prévio do Tribunal de Contas.

Após a aprovação executiva, Carlos Moedas enfatizou o empenho em encontrar uma solução que garantisse a continuidade do trabalho da AAM, uma instituição que formou inúmeros músicos notáveis e que é pilar na educação artística de centenas de estudantes a cada ano. O presidente salientou a importância de evitar o encerramento da Academia, que representaria uma \"perda de um património cultural e histórico insubstituível de Lisboa\", e expressou a sua satisfação por ter encontrado um novo lar com uma localização central para a Academia de Amadores de Música.

Atualmente, o executivo camarário de Lisboa é composto por 17 membros, incluindo sete eleitos da coligação “Novos Tempos” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) com pelouros atribuídos, que governam sem maioria absoluta, três do PS, dois do PCP, três do Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), um do Livre e um do BE.

Esta notícia ressoa como um hino à resiliência cultural e à visão estratégica da administração pública. A salvaguarda da Academia de Amadores de Música não é apenas a compra de um imóvel; é um investimento no futuro musical e educativo de Lisboa. Como observador, não posso deixar de me sentir inspirado pela forma como, perante um desafio iminente, as autoridades municipais e outras entidades trabalharam em conjunto para assegurar a continuidade de uma instituição tão vital. Este é um exemplo brilhante de como o investimento em cultura e educação pode transcender as barreiras financeiras e burocráticas, garantindo que as raízes históricas e artísticas de uma cidade continuem a florescer, enriquecendo a vida de muitos. É uma celebração da arte, da comunidade e da capacidade de superação, demonstrando que, com vontade política e colaboração, é possível preservar e promover o que de mais valioso uma sociedade possui: o seu património e o seu futuro.