Mafra Avança com Arquivo Nacional do Som: Um Marco de 6,4 Milhões de Euros para a Preservação Sonora

A Câmara Municipal de Mafra deu um passo significativo na preservação cultural do país ao aprovar o início da construção do Arquivo Nacional do Som. Este projeto ambicioso, que representa um investimento substancial, é crucial para a salvaguarda do património áudio nacional, garantindo que as futuras gerações tenham acesso a uma vasta coleção de registos sonoros que abrangem desde os primórdios das gravações até às mais recentes inovações digitais.

Um Novo Capítulo na Conservação Sonora Nacional

Luz Verde para o Arquivo Nacional do Som em Mafra

O município de Mafra anunciou a adjudicação da empreitada para a construção do inovador Arquivo Nacional do Som. Esta decisão, tomada por unanimidade em reunião camarária, estabelece um investimento de 6,4 milhões de euros, mais IVA, marcando o início de uma obra de grande relevância cultural e histórica para Portugal.

Processo de Adjudicação e Financiamento do Projeto

A empresa RUCE – Construção e Engenharia S.A. foi a selecionada para concretizar este projeto, após um segundo concurso público. Este processo de seleção, mais exigente que o inicial, garantiu a escolha de uma entidade capaz de corresponder às especificações técnicas e orçamentais. O financiamento para esta infraestrutura provém maioritariamente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com uma contribuição de 4,5 milhões de euros para a construção e 2 milhões para a aquisição de equipamentos especializados.

Conceção Arquitetónica e Funcionalidade do Edifício

Desenhado pelo Ateliê Carvalho Araújo Arquitetos, o futuro Arquivo Nacional do Som será uma estrutura moderna e integrada na paisagem. O edifício, com cinco pisos, foi concebido para otimizar a funcionalidade e acessibilidade, incluindo áreas administrativas, laboratórios de restauro, e depósitos com condições ideais para a conservação de acervos sonoros. Um jardim público e espaço para futuras expansões complementam a visão de um centro de excelência.

A Missão de Salvaguarda do Património Sonoro

O Arquivo Nacional do Som nasce da urgente necessidade de preservar registos sonoros que se encontram em risco de degradação física ou tecnológica. Segundo Pedro Félix, coordenador da estrutura de missão, meio milhão de documentos sonoros foram identificados como vulneráveis, destacando a importância da digitalização para a perenidade destes arquivos. A proximidade da maior parte destes acervos à Área Metropolitana de Lisboa justifica a localização estratégica do arquivo em Mafra.

Diversidade do Acervo e Atividades Precursoras

O futuro arquivo abrigará uma vasta gama de suportes e conteúdos sonoros, desde os pioneiros cilindros de cera do século XIX até aos mais recentes formatos digitais como podcasts e gravações de paisagens sonoras. Desde a sua criação em 2019, a equipa de instalação do arquivo tem realizado uma série de intervenções cruciais, incluindo programas de digitalização e peritagens, além de estabelecer mais de 20 protocolos de cooperação nacionais e internacionais, fundamentais para a construção deste acervo de valor incalculável.